30 Setembro, 2020 -

Citricultores contam suas experiências com laranjas orgânicas em Aratiba

A laranja é cultural no Rio Grande do Sul. O estado é um dos maiores produtores deste fruto e os responsáveis pela produção são, normalmente, agricultores familiares. A produção no estado se iniciou na metade do século XX através dos imigrantes italianos e alemães e seus descendentes na região do vale do Caí e do Taquari. A prática não ficou presa nessas regiões e se espalhou por todo o estado, inclusive pelo Alto Uruguai.  

De acordo com dados da Emater/Ascar a  região cultivou 2.717 hectares de laranja, 379 hectares de bergamota, envolvendo 1.623 famílias. Dentro dessas mais de 1600 famílias está a de Vilson Bugs, citricultor de Aratiba. Bugs afirma que teve seu primeiro pomar nos meados dos anos 90, ainda em outra propriedade. O pomar atual, cultivado desde 2008 possui uma área de 1 hectare e é um pomar orgânico desde 2015.

O interesse com produtos de origem orgânica é paralelo a vida de Vilson. A intenção sempre foi poder executar as produções sem a utilização de agrotóxicos, mas pela falta de conhecimento os planos ficavam distantes. Contudo, após o contato com a cooperativa e também com a Emater, a distância entre o plano e a realização estreitou e Bugs conseguiu  colocar em prática seu pomar sustentável. 

O reconhecimento do produto orgânico pode ser realizado através da rede Ecovida. A Rede Ecovida de Agroecologia é um espaço de mobilização e planejamento da agricultura agroecológica que engloba os três estados sul-brasileiros. A rede é organizada por 29 núcleos regionais incorporando associações, cooperativas de agricultores e consumidores, e demais participantes do processo de produção agroecológico.

Outro integrante importante neste processo é a CETAP. A entidade foi constituída com a participação de representantes de diversos segmentos sociais do meio rural e, atualmente, atua com pequenos agricultores e agricultoras familiares e camponeses, agricultores assentados, pessoas e organizações urbanas que dialogam com a Economia Solidária. Tendo a secretaria geral situada em Passo Fundo, a atuação  é realizada prioritariamente na região norte do Rio Grande do Sul, mas existem projetos que abrangem diferentes regiões do estado. 

O processo de transição entre o pomar tradicional, aquele com o uso frequente de agrotóxicos para um pomar orgânico, livre de produtos químicos pode haver uma diferença breve. Vilson frisa que no início do processo de transição a produção caiu um pouco, mas é momentâneo, até a adaptação do pomar. Após isso, a produção costuma normalizar, como ele ressalta “, esse ano  vou colher 50 toneladas e espero mais para a próxima”. 


Orgânico desde sempre 

Não menos orgânico que o pomar de Vilson Bugs, a propriedade de Pedrinho Cauduro nunca foi favorável ao uso de venenos. Com o pomar há 12 anos, Pedrinho conta que para se tornar um pomar orgânico foi apenas uma questão burocrática “na minha vida nunca passei veneno na roça ”. Maria, esposa de Pedrinho, indica que ela tinha a ideia do que ela tinha no seu pomar era uma laranja orgânica, após uma conversa com um dos engenheiros agrônomos da Emater houve a confirmação que a laranja era sim orgânica.

Para haver essa confirmação do produto orgânico é necessário seguir conjunto de regras e de procedimentos adotados por uma entidade certificadora auditora, que assegura por escrito que determinado produto, processo ou serviço obedece às normas e às práticas da produção orgânica. A certificação de produtos orgânicos exige uma série de cuidados, tais como a desintoxicação do solo, o não uso de adubos químicos e agrotóxicos, a recomposição de matas ciliares entre outros. 

E da laranja produzida no pomar da propriedade é feito o suco. A família Cauduro também comercializa suco através da sua agroindústria, a Itá Sucos. O Itá não é por acaso, o filho do casal Paulo Rogério é residente da cidade catarinense e, visualizando que a produção de laranjas na cidade é baixa, a família resolveu investir em uma máquina para industrializar o suco. A agroindústria existe há mais de um ano, mas há seis meses com a certificação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). 

A laranja orgânica oferece inúmeras oportunidades que aliam qualidade e bom preço. Seja para venda para mercados ou até a indústria de sucos como é o caso de Vilson, seja para fornecimento de produtos para sua própria agroindústria. Se tiver interesse em fazer essa transição orgânica em seu pomar, entre em contato com a Cecafes que obterá o direcionamento necessário. Em Aratiba, o contato pode ser realizado diretamente com a Copaal/Agricoop.